10 de setembro de 2010

As histórias que a História não conta

Há quem diga que jornalismo não produz conhecimento. Que isso é privilégio das esferas tradicionais da ciência, como a Sociologia, a Filosofia e a História, e o que nos resta é repercutí-las. Mentira. Jornalistas produzem conhecimento sobre tudo, todos os dias. Mas não é um conhecimento igual ao dos livros. É um conhecimento que se apega a um aspecto em particular dos objetos sobre o qual diz respeito: a singularidade. Isso não sou eu quem digo, é Adelmo Genro Filho, Meditsch, entre outros.


A questão é: mesmo que o jornalista volte sua atenção para o mesmo ponto que o cientista, o que sobrará de conhecimento depois é bem diferente.

Um exemplo. Se um historiador resolvesse traçar a história de Santa Cruz do Sul, com o que ele se preocuparia? A vinda dos imigrantes, a povoação, a emancipação, o crescimento econômico, as transformações urbanas, a construção da Catedral...Enfim, generalidades. E estaria produzindo conhecimento, sem dúvida, e aliás, um conhecimento preciosíssimo.

Um jornalista também pode produzir conhecimento sobre a história da cidade. Mas pode ser diferente - e possivelmente será, ao menos se for um bom jornalista. Ao invés de contar a história da construção da Catedral, vai contar sobre o Seu Fulano, que botou a primeira pedra no local onde se ergueria a construção. Ou sobre o velhinho que sentava todas as tardes na praça para assistir as obras. Enfim, particularidades. E isso é conhecimento.

Falei, falei, só para tentar expressar o quão apaixonado estou pela minha pauta - sobre a qual nem quero falar muito por medo (bobo, eu sei) dos urubus de bloquinho e caneta. Trata-se de uma história que descobri por acaso, e que desvenda uma faceta da trajetória da cidade, que os livros não contam. E que, de alguma forma, ainda vive. Na lembrança dos poucos que restaram daquele tempo (e faz tempo!), ou em alguns vestígios de passado escondidos entre as modernidades. Por exemplo, um letreiro. Ou uma casa antiga transformada em comitê de campanha política.

Já conversei com várias pessoas interessantes, que nem ideia faziam do tesouro que tinham em mãos. Aos poucos, darei mais pistas dessa história. Que, aliás, é tão boa que merecia um H maiúsculo.

OBS. A primeira pista está na imagem.

4 comentários:

Luh disse...

Tua pauta é muito boa mesmo. É muito engraçado perceber que as pessoas que vivem histórias interessantes nem se dão conta que fazem parte de algo extraordinário. Ah, cuidado com com os urubus!

Demétrio de Azeredo Soster disse...

seriam cubos de gelo, meu caro watson?

Vanessa Kannenberg disse...

Em poucos detalhes que tu já me contou desta "História", já sei que será uma baita reportagem.

Mas por que tu não conta que é sobre o tempo em que Santa Cruz era pólo fabricador de gelos?

#trollagem

Fabrício Goulart disse...

Realmente, a pauta é muito interessante. E não se preocupe com os urubus. Eles precisam de detalhes mais palpáveis, direcionáveis etc.