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14 de outubro de 2011

Uma visita ao passado

As reportagens que vocês encontrarão na próxima Exceção, em sua maioria, têm em comum o fato de visitarem o passado para discorrer sobre algo no presente. É fato que o passado sempre desperta nossa atenção. A obra Corações Sujos, de Fernando Morais, por exemplo, nada mais é do que uma grande pesquisa sobre a história da comunidade japonesa no Brasil. Explicando o passado, podemos entender o presente. O mesmo ocorre com a reportagem Tempos Nazistas, realizada pela turma de Produção em Jornalismo Online no semestre passado. Essa revisita ao passado da região abriu novas possibilidades de olhares sobre a atualidade.

Revista História em Curso
Foi com a intenção de procurar esse olhar sobre o passado que encontrei, em uma banca aqui de Santa Cruz, a revista História em Curso, da Editora Minuano. Como lema, ela nos traz um resumo do que já foi dito: "Conheça o passado; Entenda o presente; Projete o futuro!". Nesse sentido, buscamos inspiração na publicação para abrir a mente na busca pela informação. Nosso objetivo, mais do que escrever textos bem fechados e produzir uma revista para entretê-lo, caro leitor, é produzir reportagens com conteúdo realmente aprofundado, contar histórias interessantes e, quem sabe, colocar em prática nossa função social enquanto jornalistas (ou quase jornalistas).

Se você está ansioso para ler o que estamos preparando, saiba que também estamos ansiosos para vermos nosso trabalho finalizado e a nova edição da revista Exceção, finalmente, em nossas mãos. A contagem regressiva começou.

10 de setembro de 2010

As histórias que a História não conta

Há quem diga que jornalismo não produz conhecimento. Que isso é privilégio das esferas tradicionais da ciência, como a Sociologia, a Filosofia e a História, e o que nos resta é repercutí-las. Mentira. Jornalistas produzem conhecimento sobre tudo, todos os dias. Mas não é um conhecimento igual ao dos livros. É um conhecimento que se apega a um aspecto em particular dos objetos sobre o qual diz respeito: a singularidade. Isso não sou eu quem digo, é Adelmo Genro Filho, Meditsch, entre outros.


A questão é: mesmo que o jornalista volte sua atenção para o mesmo ponto que o cientista, o que sobrará de conhecimento depois é bem diferente.

Um exemplo. Se um historiador resolvesse traçar a história de Santa Cruz do Sul, com o que ele se preocuparia? A vinda dos imigrantes, a povoação, a emancipação, o crescimento econômico, as transformações urbanas, a construção da Catedral...Enfim, generalidades. E estaria produzindo conhecimento, sem dúvida, e aliás, um conhecimento preciosíssimo.

Um jornalista também pode produzir conhecimento sobre a história da cidade. Mas pode ser diferente - e possivelmente será, ao menos se for um bom jornalista. Ao invés de contar a história da construção da Catedral, vai contar sobre o Seu Fulano, que botou a primeira pedra no local onde se ergueria a construção. Ou sobre o velhinho que sentava todas as tardes na praça para assistir as obras. Enfim, particularidades. E isso é conhecimento.

Falei, falei, só para tentar expressar o quão apaixonado estou pela minha pauta - sobre a qual nem quero falar muito por medo (bobo, eu sei) dos urubus de bloquinho e caneta. Trata-se de uma história que descobri por acaso, e que desvenda uma faceta da trajetória da cidade, que os livros não contam. E que, de alguma forma, ainda vive. Na lembrança dos poucos que restaram daquele tempo (e faz tempo!), ou em alguns vestígios de passado escondidos entre as modernidades. Por exemplo, um letreiro. Ou uma casa antiga transformada em comitê de campanha política.

Já conversei com várias pessoas interessantes, que nem ideia faziam do tesouro que tinham em mãos. Aos poucos, darei mais pistas dessa história. Que, aliás, é tão boa que merecia um H maiúsculo.

OBS. A primeira pista está na imagem.