Não é um tema extremamente inovador e tampouco inusitado. A morte, que carrega o título de certeza absoluta de nossas vidas, é um assunto que, em alguns, causa furor, enquanto que em outros, nem faz cócegas. No meu caso, confesso: fiquei em cima do muro. Ao mesmo tempo em que queria entrar de cabeça no tema proposto para a minha reportagem, permaneci um pouco receosa no início com as descobertas futuras. Afinal, contar a história de quem prepara corpos para a despedida derradeira da ânsia de viver não é uma tarefa das mais fáceis.
Conheci o Julio através de indicações. Uma conversa aqui, outra lá e tcharãm; descobri um homem íntegro e muito gente boa. Nos encontramos em aluns momentos e conversamos por horas a fio. Quando eu pensava que estava quase acabando, alguma pergunta me surgia ou ele logo contava algum "causo" pessoal. Empurrado desde cedo para a vida de agente funerário, Julio encarnou o fardo para o qual foi destinado sem reclamações e muito menos frescuras. Fez o que tinha que ser feito. Atualmente, ele supera as adversidades da profissão pouco valorizada - como o afastamento da família e os horários inusitados - para dar um fim de vida digno a todos que o procuram.
Sem poupar detalhes (a repórter aqui encheu o saco para que tudo fosse contado tim-tim por tim-tim), Julio abriu a janela do seu passado para mim e revelou detalhes extremamente perturbantes de sua trajetória na carreira. Quando pensei que nada mais bizarro pudesse vir à tona, ele surgia com outra história mirabolante sobre sua vida pessoal. Experiente no ramo, ele defende que o controle emocional e a "dureza" dos sentimentos são requisitos essenciais para quem quer seguir a carreira de agente funerário. Além disso, algumas pitadas de paciência e sangue frio também são necessárias.
Nesta reportagem, espero poder representar o espírito de Julio assim como ele me foi apresentado: puro, honesto e de coração aberto. Não vejo a hora de ver tudo diagramado, organizado e prontinho para chegar nas mãos dos leitores. Torço para que a cada página virada, alguma história interessante marque aqueles que as estão lendo. Está quase lá, minha gente. Falta pouco!
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21 de outubro de 2014
16 de outubro de 2014
Crônica da calça suja
Se tem algo que me tira do sério é o medo de se sujar. Literal ou não literalmente, a verdade é que não pode-se viver intensamente sem nenhum esbarrão, hematoma ou marca. No caso do jornalismo, isso também segue a mesma linha. Repórter não pode ter frescura. Você pode até conseguir fazer uma reportagem sentada na sua cadeira confortável na redação. Mas, o resultado não será o mesmo caso você pegasse seu bloquinho, uma caneta, a câmera e fosse colocar o pé no mundo, para não só narrar os fatos, como também sentir. E, colocar isso dentro da reportagem, é claro. Afinal, você quer cumprir tarefas ou viver sua profissão?
12 de setembro de 2014
O prazer de produzir uma revista
Logo ao iniciar a faculdade de Jornalismo, quatro anos atrás, sabia que minha sina seria escrever. Aliás, era esse o motivo da escolha pelo curso. Eu era - e ainda sou, claro - apaixonada por palavras. No Ensino Médio, inclusive, arrisquei iniciar um romance. Ele não saiu dos primeiros capítulos, mas incentivou ainda mais a gostar do que escolhi fazer pelo resto da vida.
20 de maio de 2013
Dilemas da reportagem
(Para compartilhar um pouco do dilema que eu e a minha
colega da reportagem sobre a ditadura, Josiane Goetze, vivemos nos últimos
dias)
O assunto é delicado. Chocante. Triste. Sério. O assunto
precisa ser abordado.
A reportagem deve ser atraente, detalhada, em profundidade.
Mas não pode ser sensacionalista.
Precisamos dar detalhes.
Quando o case é uma vítima de tortura, obter detalhes
significar remexer uma ferida.
Não podemos invadir a privacidade, nem machucar ninguém. Não
queremos que os pesadelos voltem.
Queremos escrever. Contar a história. Mostrar o exemplo de
superação. Acima de tudo, valorizar a história de quem nos fala. Queremos passar a emoção que sentimos.
Precisamos de mais fontes. Temos fontes de mais. Podemos
cortar? Faremos mais uma entrevista? Podemos perguntar de novo? Precisamos
confirmar. Temos que procurar o outro lado da história.
É preciso ter sensibilidade. É preciso saber o limite. É
preciso saber ir além. É preciso ter coragem. É preciso feeling. É preciso ter
vontade de (re)escrever. E paciência.
Por fim, é preciso cortar. A reportagem extrapolou o limite
de caracteres. E muito.
29 de outubro de 2011
Histórias da Guerra
15 de setembro de 2011
Persistir sempre
Se tem uma palavra que um jornalista não deve acatar em primeira instância, essa palavra é NÃO. Ás vezes na busca pela história, pela informação e pelo desenrolar de uma pauta, muitas pedras são encontradas no caminho, muitas portas fechadas na nossa cara e muitos NÃOs são ditos sem dó (não é mesmo Deka?).
No entanto, não podemos nos abalar com esses percalços e é preciso muita persistência para superar essas decepções e continuar buscando nosso ideal. Estou fazendo essa reflexão porque na quarta-feira desta semana tinha uma entrevista marcada, marcada desde a semana passada, com uma das fontes mais importantes da minha reportagem.
Fui até o encontro no lugar e hora marcada para ouvir minha fonte dizer que estava muito ocupada naquele momento e que não poderia me atender. Resultado, pela mesma porta que entrei, minutos depois tive que sair sem nenhuma informação a mais do que aquelas que já havia descobertro sozinha.
No entanto, é preciso ressaltar que para continuar nessa busca, me agarrei com força na promessa que a fonte me fez: remanejar sua agenda, marcar um novo encontro, e me ligar comunicando. Espero que essa atitude ocorra logo, e se assim não for, serei insistente (e até inconveniente se preciso) mesmo e ligarei cobrando o cumprimento dessa promessa.
Mas, como esta não era a única fonte, sigo tentando encontrar as demais.
Persistir sempre.
No entanto, não podemos nos abalar com esses percalços e é preciso muita persistência para superar essas decepções e continuar buscando nosso ideal. Estou fazendo essa reflexão porque na quarta-feira desta semana tinha uma entrevista marcada, marcada desde a semana passada, com uma das fontes mais importantes da minha reportagem.
Fui até o encontro no lugar e hora marcada para ouvir minha fonte dizer que estava muito ocupada naquele momento e que não poderia me atender. Resultado, pela mesma porta que entrei, minutos depois tive que sair sem nenhuma informação a mais do que aquelas que já havia descobertro sozinha.
No entanto, é preciso ressaltar que para continuar nessa busca, me agarrei com força na promessa que a fonte me fez: remanejar sua agenda, marcar um novo encontro, e me ligar comunicando. Espero que essa atitude ocorra logo, e se assim não for, serei insistente (e até inconveniente se preciso) mesmo e ligarei cobrando o cumprimento dessa promessa.
Mas, como esta não era a única fonte, sigo tentando encontrar as demais.
Persistir sempre.
10 de maio de 2011
Sobre fontes, canetas e furos
Se existe algo extremamente importante para um bom texto - principalmente se este for para revista -, é ter um bom personagem. E só quem se desespera (leia-se: eu, quem vos escreve) atrás de várias fontes para achar aquele um que tenha um "quê" a mais, sabe o quanto isso é complicado.
Eis que, no auge do desenvolvimento da minha reportagem, acho um personagem incrível. Sarcasticamente, irei chamá-lo de Sr. Incrível. Afinal, a fonte acabou sendo tão enrolada que passei a tratar sua identidade como segredo de Estado. Uma fonte confidencial, digamos assim.
Data, local e horário agendados. Anotações, questões, dúvidas, perguntas, bloco de notas, canetas (três, no mínimo. Número exato para o caso de uma não funcionar e outra se perder), gravador e câmera digital. "Não tem falha!", pensei.
Pensei e errei.
Estava tudo ok, exceto o fato do Sr. Incrível não aparecer no local determinado. Esperei 15 minutos, "vai ver ele atrasou um pouquinho". Mais quinze se passaram, e mais quinze... somavam-se, então, 45 minutos. E assim foi-se a minha tarde de "folga". Sem gravação, sem conversa, sem canetas perdidas.
Mas, como diria a banda Strike: O mundo gira e bota sempre tudo no lugar. Outras fontes, obviamente, vieram. Assim como veio o dia em que, subitamente - num desses corredores da vida - me encontro com o Sr. Incrível. Sem saber onde enfiar a cara, veio com o típico papo de quem não havia ensaiado uma desculpa convincente.
- Oi, Jo. Bá... desculpe por aquele dia. Nem lembro, acho que estava doente, e meu celular estava sem bateria, ia te ligar e tudo... Mas, sabe né... Acontece.
- Claro, eu entendo. Nem esquenta quanto a isso.
Como se já não bastasse o furo (que, infelizmente, não foi de reportagem #trocadilhobesta), o Sr. Incrível ainda teve a coragem de me pedir uma lista de Referências Bibliográficas que havia usado, há muito, em algum trabalho acadêmico. Já que não sou de guardar rancor das pessoas, prontamente entreguei meu "pendrive acadêmico" - como gosto de chamá-lo - para que pudesse fazer uma cópia da tal lista. Ao devolver-me, já no final da noite, mais um pedido de desculpas:
- Brigadão, Jo. E, sobre aquela entrevista, desculpe mesmo. Se tu quiser remarcar...
- Não, não. Mas, se tu quiser me fazer um favor, eu aceito.
- Claro, fala aí.
- Leia a Exceção, quando ela sair. - Concluí com um sorriso mais sarcástico que amigável - E vê lá o quanto a tua colaboração, nem sequer, fez falta. - claro, guardei para mim essa última parte.
Eis que, no auge do desenvolvimento da minha reportagem, acho um personagem incrível. Sarcasticamente, irei chamá-lo de Sr. Incrível. Afinal, a fonte acabou sendo tão enrolada que passei a tratar sua identidade como segredo de Estado. Uma fonte confidencial, digamos assim.
Data, local e horário agendados. Anotações, questões, dúvidas, perguntas, bloco de notas, canetas (três, no mínimo. Número exato para o caso de uma não funcionar e outra se perder), gravador e câmera digital. "Não tem falha!", pensei.
Pensei e errei.
Estava tudo ok, exceto o fato do Sr. Incrível não aparecer no local determinado. Esperei 15 minutos, "vai ver ele atrasou um pouquinho". Mais quinze se passaram, e mais quinze... somavam-se, então, 45 minutos. E assim foi-se a minha tarde de "folga". Sem gravação, sem conversa, sem canetas perdidas.
Mas, como diria a banda Strike: O mundo gira e bota sempre tudo no lugar. Outras fontes, obviamente, vieram. Assim como veio o dia em que, subitamente - num desses corredores da vida - me encontro com o Sr. Incrível. Sem saber onde enfiar a cara, veio com o típico papo de quem não havia ensaiado uma desculpa convincente.
- Oi, Jo. Bá... desculpe por aquele dia. Nem lembro, acho que estava doente, e meu celular estava sem bateria, ia te ligar e tudo... Mas, sabe né... Acontece.
- Claro, eu entendo. Nem esquenta quanto a isso.
Como se já não bastasse o furo (que, infelizmente, não foi de reportagem #trocadilhobesta), o Sr. Incrível ainda teve a coragem de me pedir uma lista de Referências Bibliográficas que havia usado, há muito, em algum trabalho acadêmico. Já que não sou de guardar rancor das pessoas, prontamente entreguei meu "pendrive acadêmico" - como gosto de chamá-lo - para que pudesse fazer uma cópia da tal lista. Ao devolver-me, já no final da noite, mais um pedido de desculpas:
- Brigadão, Jo. E, sobre aquela entrevista, desculpe mesmo. Se tu quiser remarcar...
- Não, não. Mas, se tu quiser me fazer um favor, eu aceito.
- Claro, fala aí.
- Leia a Exceção, quando ela sair. - Concluí com um sorriso mais sarcástico que amigável - E vê lá o quanto a tua colaboração, nem sequer, fez falta. - claro, guardei para mim essa última parte.
10 de dezembro de 2010
O prazer de ser Exceção
![]() |
| Depoimento de Willian Ceolin durante as gravações do documentário |
Além dos textos e fotografias, temos que destacar o belo projeto gráfico. Quando sugeri a pauta com a qual desenvolvi a reportagem, que por sinal, foi distante de Santa Cruz do Sul, imaginei com seria a reação do padre Osvaldo e também das pessoas de Esmeralda, algo que acontecerá em breve.
Já no final dos trabalhos, cada um deu seu depoimento para que um material audiovisual seja produzido para registrar o trabalho de executar a revista deste ano. Foi marcante ter a oportunidade de gravar este momento, da mesma forma que marcou o jantar da turma no início do semestre.
Os leitores da revista conhecerão belas histórias, com situações que buscam o que é exceção à regra, o olhar ao avesso. Os assuntos são variados e originais. Além disso, o documentário vai trazer detalhes que apenas o repórter teve a chance de presenciar em suas entrevistas. Vale muito a pena ser lida.
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2 de setembro de 2010
Tem revista em Vacaria
Dias atrás, já havia falado a alguns amigos do curso que Vacaria agora tem revista. Temos citado várias publicações, exemplificando o que é feito aqui no Brasil e também no exterior. Agora resolvi trazer um pouco sobre algo próximo e que tem características bem inovadoras para sua região de abrangência: os Campos de Cima da Serra. Jornais e rádios já existem há um bom tempo. Revista, pelo menos para mim, é novidade.
Confesso que quando ouvi falar da Altos da Serra, não fiquei muito entusiasmado. Logo pensei: "Vem aí mais uma publicação aos moldes do que já foi feito e não deu certo". Mas veio a surpresa quando tive a oportunidade de tê-la nas mãos. Pela capa, minha reação foi de espanto. A primeira edição tinha um papel brilhoso, de alta qualidade e uma bela foto de capa. Com a legenda "A lenda das gineteadas", minha curiosidade aumentou e então comecei a folhear. Fiquei mais impressionado ainda com o bom conteúdo.
Uma das matérias traçava o perfil de Volmir de Paula, um dos maiores ginetes da cidade, outra com um vacariano que toca na banda Pata de Elefante e ainda uma entrevista com uma carioca, que já morou na Europa e adotou o interior de Vacaria para viver. Pautas realmente interessantes e nunca antes pensadas pela imprensa local.
O investimento em reportagens é o grande trunfo para que ela faça sucesso. Além disso, profissionais de diversas áreas são convidados e contribuem como articulistas. O projeto gráfico também mereceu atenção especial e privilegia o trabalho fotográfico de um dos proprietários, o fotógrafo Vinícus Todeschini. Quem também desenvolveu o projeto foi Diogo Tesch. A segunda edição já saiu e também segue o bom padrão de qualidade. Dessa forma, descobri que a periodicidade é trimestral. Como o custo de produção é elevado, são muitas páginas dedicadas à publicidade. O jornalista Rodrigo Bedin de Oliveira é responsável pela produção editorial. Os dois tem atividades paralelas, mas tem a revista como um filho e desejam cuidá-lo da melhor forma possível. Com os prazos estendidos para a produção, eles tem condições de primar pela qualidade, o que diferencia o produto e que também conquista leitores, como eu.
O investimento em reportagens é o grande trunfo para que ela faça sucesso. Além disso, profissionais de diversas áreas são convidados e contribuem como articulistas. O projeto gráfico também mereceu atenção especial e privilegia o trabalho fotográfico de um dos proprietários, o fotógrafo Vinícus Todeschini. Quem também desenvolveu o projeto foi Diogo Tesch. A segunda edição já saiu e também segue o bom padrão de qualidade. Dessa forma, descobri que a periodicidade é trimestral. Como o custo de produção é elevado, são muitas páginas dedicadas à publicidade. O jornalista Rodrigo Bedin de Oliveira é responsável pela produção editorial. Os dois tem atividades paralelas, mas tem a revista como um filho e desejam cuidá-lo da melhor forma possível. Com os prazos estendidos para a produção, eles tem condições de primar pela qualidade, o que diferencia o produto e que também conquista leitores, como eu.
5 de novembro de 2008
Mais uma sessão de fotos... e não é a última...
Venho aqui escrever para contar como foi mais uma sessão de fotos... Não se assuste com a foto acima, o desfoque foi proposital para não revelar o visual, que é super-importante nessa reportagem.Antes que confundam, não é a reportagem sobre a Dona Ondina. Essa é uma reportagem que fiz com a colega Raisa sobre cosplays, que para quem não sabe são as pessoas que se vestem como seus personagens preferidos dos animes.
A matéria está super bacana e as fotos, novamente feitas pela Amanda (preciso falar mais alguma coisa?) ficaram ótimas....e olha que foram muitas, mais de 170 durante a tarde. As meninas das fotos se divertiram tanto quanto a gente durante a sessão e acredito que quando você ler a reportagem vai se divertir também.
Mas essa não foi a última sessão de fotos, sexta-feira tem mais uma, essa sim a última... Mais cosplays desfilando pelos blocos da Comunicação. Não vejo a hora de ver a página diagramada!!! Aguarde e confie!!!
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