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25 de novembro de 2015

#meuamigosecreto

Nesta quarta-feira, Dia de Combate à Violência contra a Mulher, uma campanha nas redes sociais está chamando a atenção para o machismo velado. Com a hashtag #meuamigosecreto, as internautas são convidadas a etiquetar postagens que revelem atitudes preconceituosas, mas consideradas normais. A ideia é mostrar como a ideologia violenta se disfarça no dia a dia.
Os exemplos que encontrei abordam, em sua maioria, situações envolvendo o corpo feminino. São palavras e atitudes que expressam a concepção da mulher como um pedaço de carne a ser dominado e consumido. Às vezes, são justificadas como sendo "ah, coisa de homem" ou natural "afinal, se ela sai assim de casa, deve estar querendo...".
Este ano de 2015 tem sido de muitas reflexões. Tem sido incômodo. Os "amigos" estão sendo revelados e a brincadeira está perdendo a graça. Se um homem não merece ter suas inseguranças exploradas e seus desejos reprimidos, não merece ser julgado pela sua aparência, nem ter que cuidar com decotes e comprimentos, sob o risco de ser violentado, por que uma mulher não está livre para andar como quiser?



11 de outubro de 2011

Um problema em nível estadual

Na reportagem principal da Zero Hora de sábado, 8, um dado alarmante nos é fornecido: o efetivo da Polícia Militar de Caxias do Sul é o mesmo de 20 anos atrás. Em Rio Pardo, palco de minha reportagem, outro dado preocupa: o presídio tem a mesma capacidade há 10 anos. E isso não é só na cidade histórica.

Desde 2001 não são construídas novas prisões no Rio Grande do Sul. Entretanto, a população carcerária no período dobrou. Para se ter ideia, o presídio de Rio Pardo tem capacidade para 16 apenados - atualmente abriga 46. Em 2001, cerca de 15 mil presidiários viviam nas prisões gaúchas - hoje são mais de 29 mil.

Um problema antigo. E, ainda assim, um problema atual. No cômpito final, tudo reflete nos índices de violência que aflingem o estado. É inegável que tais índices cresceram em todas as cidades gaúchas. A questão é saber o quanto isso afetou a vida da população, principalmente nas cidades do interior.

21 de setembro de 2011

Para onde vai Rio Pardo?

Nas últimas semanas, me intriga a quantidade de vezes que vi Rio Pardo, cidade na qual nasci, com destaque na mídia. Infelizmente, de forma negativa. As últimas manchetes anunciavam mortes, violência doméstica, vingança, tráfico de drogas, prostituição. Que a cidadezinha está transformada não é novidade. Lembro de quando nem pensava em ir para a faculdade, as noites jogando futebol no meio da rua, traves feitas com chinelos "Havaianas" e bola remendada com fita isolante. Lembro de poder andar de bicicleta pelas ruas da cidade histórica sem medo. Ou então, tomar sorvete na esquina de casa com os amigos, inventando histórias e dividindo sonhos. Incrivelmente, todas essas lembranças têm menos de 10 anos. O que aconteceu de lá para cá?

Dizer que toda a cidade tem violência, drogas e libertinagem é lugar comum. Mas é sempre estranho ver nossa terra natal desandando. A verdade é que não sabe-se onde essa onda de violência vai parar. Pode ser um vizinho que mata o cachorro da vizinha com carne envenenada para poder furtar frutas de seu quintal - por mais estranho que isso soe, ocorreu com minha avó -; pode ser um grupo de garotos traficando para outros garotos; pode ser um marido que espanca a esposa e não aceita o divórcio. Definitivamente, a Rio Pardo de hoje não é a mesma que, certa vez, acolheu minha infância e foi palco dos meus sonhos.